23 de outubro de 2010

DÚVIDAS

A seguir, algumas dúvidas que surgem sempre que pensamos em encanamentos e instalações. Não se esqueça de que as respostas são conselhos e orientações genéricos, e, eventualmente, o seu problema pode apresentar particularidades que só um profissional treinado estará apto a desvendar.

Como ficam os projetos hidráulicos em casas pré-fabricadas?

Em princípio, eles seguem os mesmos mandamentos das construções de alvenaria. A maior diferença talvez esteja na caixa-d'água. Muitas casas pré-fabricadas não têm estrutura no telhado para suportar o peso de um reservatório. Muitas delas, inclusive, são construídas com telha-vã (sem o forro). Assim, a solução é colocar a caixa-d'água do lado de fora, erguendo uma torre para criar pressão. Caso dispense a torre, o uso de um pressurizador será imprescindível para que torneiras, aquecedores e chuveiros funcionem bem.

Água quente esgoto abaixo, o que pode acontecer?

Imagine a situação: você ferveu água para preparar macarrão. Na hora de escorrer, essa água tem temperatura próxima dos 100 °C, muito acima do que é normalmente suportado por vários materiais usados em rede de esgoto. Se o sifão da pia for de metal, você se livrou do problema. Mas, se for de PVC, por exemplo, ele pode não resistir e trincar. Na dúvida, quando for jogar água quente na pia da cozinha, abra também a torneira de água fria (não sobre o macarrão, por favor).
No chuveiro e na pia do banheiro o risco não existe, já que a temperatura da água é sempre bem menor, dificilmente ultrapassando os 40 °C.

Por que brota água de uma parede sem encanamentos?

Especialmente para quem mora em apartamento, essa é uma cena muitas vezes real. A explicação é simples: muitos edifícios usam entulho para completar o espaço entre a laje e o contrapiso. Se o apartamento de cima tiver algum vazamento, essa água escorrerá e começará a encharcar o entulho. Talvez demore muito tempo até que ela escoe por algum lugar, mas, inevitavelmente, isso acaba acontecendo. Aí, a água surge em qualquer lugar do apartamento de baixo, mesmo em paredes onde não há tubulação.
Outra possibilidade é que haja uma falha na calha que capta a água das chuvas. Se ela passa por uma parede seca, o vazamento vai aparecer

O que é e como funciona o triturador?

Os trituradores são aparelhos eletrodomésticos que vêm se tornando cada vez mais comuns no Brasil. Um triturador (foto) é composto basicamente de um motor e de lâminas. Como o nome já diz, o dispositivo se encarrega de transformar resíduos sólidos em pedaços muito pequenos, que podem facilmente passar pelo encanamento, evitando o risco de entupimento.

O aparelho é instalado na pia da cozinha, sob uma cuba especial, com uma saída de água de maior diâmetro. Quando você joga restos de alimentos dentro da pia e aciona o triturador, ele mói o material e o joga na rede de esgoto.

Minha rua não tem rede de esgoto, o que fazer?

Só existe uma alternativa: recorrer a uma fossa séptica. Você pode comprá-la em lojas especializadas ou construí-la, dimensionando-a para atender às suas necessidades. Seu funcionamento é simples: de um lado fica a entrada de esgoto, e, do outro, a saída, sempre num nível mais baixo. É essa diferença de altura que garante que o esgoto vá para o fundo da caixa, forçando o depósito de material sólido. Nesse processo, forma-se uma camada de lodo e outra, acima, de gordura (a água que sai da caixa é o chamado efluente). Depois de passar pelo processo de decantação da fossa, o efluente deve ser infiltrado no solo. Mas atenção: não é permitido lançar resíduo de esgoto na rede de águas pluviais ou em cursos d'água.

Atente, ainda, para a manutenção, feita pelos caminhões limpa-fossa, equipados com um tubo e uma bomba de sucção: eles retiram o lodo acumulado no fundo da fossa.

Quais os métodos utilizados para detectar vazamentos?

Não existe método infalível nesse quesito. Uma coisa é certa: se a sua conta de água aumentar muito e rapidamente, sem que haja motivo para tal, é quase certo que o sistema hidráulico da sua casa tenha falhas. Nesse caso, nem a tecnologia ajuda muito. Algumas empresas oferecem o serviço de detecção de vazamentos com aparelhos de ultra-som, que prometem apontar sua localização. O problema está no preço, geralmente salgado.

Outra alternativa é usar o método do copo com água, empregado por muitos encanadores experientes. Funciona assim: feche o registro de entrada de água da rua e todas as torneiras e terminais de saída de água da casa. Em seguida, pegue um copo com água até a borda. Abra uma das torneiras e mergulhe a ponta dessa torneira na água. Se houver vazamento no seu sistema, a água será aos poucos sugada pela torneira aberta. Quanto mais próxima ela estiver do vazamento, mais rapidamente a água será absorvida.

Isso acontece porque, quando você fecha o registro da rua e todas as saídas de água, o sistema da sua casa fica isolado, mas resta a água do reservatório. Caso haja algum vazamento, a água da caixa continuará escorrendo para lá. À medida que deixa o sistema pelo furo, a água provoca deslocamento de ar, gerando nos canos um certo vácuo, que puxa a água do copo. O método não é muito eficiente em apartamentos, que têm seu sistema interligado ao do edifício.

Por que as banheiras de hidromassagem causam problemas?

Aqui, a mão-de-obra é fundamental. Muitas vezes, o erro acontece na hora da instalação. Lembre-se de que um equipamento desse tipo lida com água pressurizada e aquecida, duas características que por si só demandam maiores cuidados. Além disso, o seu projeto deve favorecer a instalação, diminuindo, por exemplo, o uso excessivo de conexões, que sempre potencializam as chances de problemas. Outro item que não pode passar despercebido é a caixa sifonada (foto). Ela precisa ter uma vazão maior para suportar a água e a espuma que caem no sistema de esgoto, vindas da banheira.

Quais os erros mais comuns nas instalações hidráulicas?

Além dos casos óbvios, como juntas e conexões mal ajustadas, as instalações hidráulicas podem padecer de uma série razoável de erros de planejamento. A hora de pensar neles é antes da construção. Quanto ao abastecimento- colocação inadequada de aquecedores
Os aquecedores centrais precisam ser dispostos sob as caixas-d'água. Nunca ao lado, mesmo que estejam em um nível inferior. Se o seu aquecedor não estiver em linha reta sob o reservatório, você com certeza não estará usando toda sua capacidade de aquecimento. Nesse caso, a saída é instalar um pressurizador, que deve ser colocado no caminho entre a saída da caixa-d'água e a entrada do aquecedor, aumentando a pressão que chega a esse aparelho.

- falta de teste de estanqueidade
Assim que os tubos estiverem instalados, abra os registros, espere alguns minutos e observe cada centímetro do encanamento. Só feche as paredes se não tiver encontrado um único ponto de vazamento. Sempre que possível, o teste deve ser feito com o acoplamento de um pressurizador ao sistema. Com pressões mais altas, a chance dos eventuais vazamentos aparecerem é maior.

- instalação inadequada de registros de passagem ou de gaveta
Quando o assunto são registros de passagem (foto), chamados pelos profissionais de registros de gaveta, muitas vezes vale a lógica do quanto mais, melhor. Mas tudo é pensado de acordo com a configuração da sua casa. Dependendo do seu projeto, pode ser interessante colocar num mesmo registro individual as saídas de água da lavanderia, um segundo para os pontos da pia da cozinha e um terceiro para o banheiro. Mas existem outras disposições possíveis. No banheiro, por exemplo, uma solução é optar por ter um registro para a pia e para o chuveiro e outro, individual, para a válvula de descarga. Assim, em caso de manutenção da válvula, os outros aparelhos do banheiro continuam sendo usados. Em qualquer situação, uma recomendação importante é não deixar esses registros meio abertos. Ou seja, se você estiver usando a água, eles devem permanecer totalmente abertos, mesmo que você tenha muita pressão no seu sistema. Lembre-se de que esses registros não foram feitos para regular a força da água prática que causa danos irreversíveis ao mecanismo dessas peças. Caso isso aconteça, a única solução é trocar o conjunto todo, com os habituais inconvenientes de quebra de paredes e de revestimentos

Quanto ao esgoto

- ângulos retos
São dois os problemas: ângulos retos tendem a aumentar a tensão e a pressão do sistema; o que é pouco desejável, quando se fala em esgotos. Também facilitam o acúmulo de sujeira. Escolha conexões com ângulos inferiores a 90°.

- excesso de ramais
O que vale aqui é a lógica de reduzir o uso de material. Diminuindo a quantidade de tubos, você minora, também, os riscos de vazamentos.

- falta de ventilação no sistema
Trata-se de um tubo que sai do sistema de esgotos em direção ao telhado. Lá em cima, sua ponta é aberta, garantindo a entrada de ar e o predomínio da pressão atmosférica no sistema. Não descuide desse detalhe: junto com a exata inclinação dos tubos, ele será responsável pelo correto escoamento das águas. A ventilação ainda evita que o mau cheiro da rede invada os ambientes da casa.

O que é o golpe de aríete e como evitá-lo?

Trata-se de uma forte trepidação que acomete o sistema hidráulico sempre que uma saída é fechada. O motivo é simples: quando uma saída é aberta, a água corre pela tubulação e sai do sistema. Assim que se fecha a saída e o fluxo é interrompido, a água tende a refluir para dentro dos tubos. Quando esse refluxo é muito violento, ocorre o golpe de aríete quase sempre com as válvulas de descarga, que trabalham com tubos largos e pressões elevadas. Com o tempo, isso pode até provocar rachaduras e vazamentos. As novas válvulas já saem de fábrica com dispositivos que evitam o problema. Se sua casa sofre com esse efeito, troque a válvula.

Quero fazer um poço artesiano em minha casa. Posso?

A lei diz que, onde houver rede de abastecimento de água, o consumidor deve fazer uso dela, preferencialmente. Mas não são raras as construções que optam pela perfuração de poços artesianos, mesmo nas cidades . Não pense, entretanto, que essa iniciativa representará o fim das contas de água. Para estar dentro da lei, a construção de um poço nas cidades deve ser comunicada à abastecedora, que instalará um hidrômetro e medirá o consumo do mesmo jeito. A diferença é que não será cobrado o abastecimento de água, apenas a taxa de coleta de esgoto, que representa 50% de sua conta.

Outro fator a ser levado em conta diz respeito aos rios poluídos. Se o seu poço captar água nas proximidades de um desses cursos, a chance de contaminação é muito grande. Mesmo em locais ermos, é indispensável o tratamento das águas de poço artesiano para que elas estejam adequadas ao consumo.

Fonte: Arquitetura & Construção

22 de outubro de 2010

INSTALAÇÃO

Através das paredes

esgoto

água fria

água quente

Alguns itens são decisivos para uma boa planta hidráulica. Repare na colocação dos registros de gaveta, que controlam o fluxo de água em seções da casa. Na cozinha e na lavanderia, não há necessidade de muitos deles: um para água quente e outro para água fria dão conta do recado. No banheiro, pode ser útil destinar um registro exclusivo para a válvula de descarga: se ela precisar de conserto, o resto do banheiro não fica sem água.

Providencie caixas de gordura e de inspeção a intervalos regulares, de preferência, na saída de cada cômodo. Em caso de entupimento, a manutenção é feita a partir delas: o resultado é uma extensão menor de tubos a serem desimpedidos.

Cozinha

esgoto

água fria

água quente

Área de serviço

esgoto

água fria

água quente

Fonte: Arquitetura & Construção

21 de outubro de 2010

TABELA TUBO DE PVC

E como evitar o golpe de aríete? Já ouviu falar do teste de estanqueidade? Tem idéia do que fazer se em sua casa a água chega sem muita pressão?

Este Hidráulica sem segredos um especial da revista Arquitetura & Construção traz as principais informações de que você precisa para iniciar bem sua obra. Conhecendo os procedimentos básicos para realizar um bom projeto, e todos os percalços que podem permear o seu caminho para uma instalação hidráulica perfeita, você evita uma série de problemas futuros.


Se já construiu sua casa, ou está reformando, esta edição também será útil, pois revela os segredos para reparar ou manter em ordem o seu sistema. Até mesmo aqueles consertos mais simples, como a troca do vedante da torneira e a limpeza da caixa sifonada, vão perder definitivamente o mistério.

Por dentro dos canos

Hora de pensar em tubos e conexões. Primeira dúvida: que material usar? O PVC encabeça o ranking dos mais conhecidos, mas o mercado oferece ainda outras famílias de produtos: o cobre, que ocupa um espaço importante na construção civil, especialmente no transporte de água aquecida, o CPVC (um tipo de PVC para água quente), o aço galvanizado e até novidades como o polietileno reticulado, que já equipa alguns edifícios brasileiros. Qual desses materiais se adapta melhor ao seu projeto? A resposta depende de diferentes fatores, alguns técnicos, outros pessoais e econômicos.

Antes de comprar tubos, porém, atenção nas medidas: elas são dadas em milímetros (as peças soldáveis) e polegadas (as rosqueáveis). Quando os dois tipos estão presentes na mesma peça, ela trará as duas medidas: milímetros de um lado e polegadas que correspondem a 2,54 cm do outro. Como os itens rosqueáveis têm espessura de parede diferente dos soldáveis, siga a tabela acima, que traz a conversão das medidas levando em conta essa diferença. Tome cuidado, ainda, com a conversão de cobre para PVC/CPVC: as medidas também serão diferentes, já que o cobre é mais resistente e, portanto, tem paredes mais finas (tabela ao lado). Na hora de trocar um material por outro, fique atento

Não se engane na conversão

Peça de rosca

Peça de solda

1/2"

15 mm

3/4"

20 mm

1"

25 mm

1 1/4"

32 mm

1 1/2"

40 mm

2"

0

2 1/2"

60 mm

3"

75 mm

4"

100 mm

Cobre

PVC/CPVC

15 mm

20 mm

22 mm

25 mm

28 mm

32 mm

35 mm

40 mm

42 mm

50 mm

54 mm

60 mm

66 mm

75 mm

79 mm

80 mm

104 mm

110 mm



18 de outubro de 2010

PROJETO HIDRAÚLICO.

A obra está pronta, cada móvel no seu lugar, cortinas nas janelas. É nessa hora que muita gente faz a descoberta: a planta hidráulica tem problemas. Ou, no mínimo, não ficou exatamente como era desejado. Nesse caso, quase sempre é tarde demais: qualquer mudança implicaria em quebra de paredes e perda de material de acabamento.

É claro que nem sempre as situações beiram a tragédia, mas desde pequenos detalhes, como a torneira do chuveiro que fica sob o jato de água (o mais adequado é colocá-la ao lado, evitando que a água fria caia sobre o braço), até problemas mais graves, como a água que volta pelo ralo, a falta de pressão no chuveiro, a má colocação de aquecedores e aquelas horríveis manchas nas paredes onde há vazamentos, já são suficientes para dar muita dor de cabeça.

Além disso, é bom lembrar que as instalações hidráulicas não dizem respeito apenas às redes de abastecimento e coleta de esgoto, mas também às tubulações de gás e à rede de águas pluviais.

Portanto, faça seu projeto de hidráulica, estabelecendo a disposição das torneiras e dos canos, antes de começar a reformar ou a construir.

O primeiro passo

A primeira pergunta é: o que é um bom projeto de hidráulica? É aquele que atende às necessidades dos usuários do imóvel, que facilita futuros reparos e que se integra ao plano arquitetônico tanto do ponto de vista da forma quanto do custo.

Não espere economia nesse item. Um projeto de hidráulica custa quase o mesmo que o estrutural. E a melhor maneira de garantir instalações hidráulicas confiáveis e adequadas à sua necessidade é acompanhar de perto a elaboração e a execução do projeto.

A pressão da rua

Uma das primeiras preocupações para quem vai construir, ou mesmo reformar, deve ser a pressão da água na rua. Quando a pressão é baixa, encher a caixa-d'água pode levar muito tempo, o chuveiro acaba se reduzindo a um quase conta-gotas, e os aparelhos eletrodomésticos, como as máquinas de lavar louças e lavar roupa, demoram muito mais para completar suas funções. Na outra ponta da equação, quando a pressão é alta demais, você vai precisar de tubos mais resistentes e mais largos e ter atenção redobrada quanto às emendas e conexões. Se a sua obra se enquadra numa dessas duas categorias, calma! O mercado oferece dispositivos que elevam ou reduzem a pressão da água.

17 de outubro de 2010

A COZINHA

Em todos os momentos da nossa história, a cozinha mostrou ser o ambiente preferido pelo brasileiro, onde a família e seus amigos mais íntimos se reúnem para um bate-bapo acompanhado por quitutes e o tradicional cafezinho. Atualmente, ela conserva o seu espírito de hospitalidade e intimismo, mas hoje é quase um templo de tecnologia e eficiência.

Sua evolução passa necessariamente pelo conceito de funcionalidade, o que requer um planejamento adequado, obtido através de um projeto considerando desde a arquitetura até a distribuição dos espaços e dos equipamentos. Os principais fatores a ser considerados são:

DISTRIBUIÇÃO
Se a área para cozinha é pequena, pode-se condensar o espaço dos componentes essenciais, como pia, bancada, refrigerador e fogão, alinhando-os em uma parede para permitir a circulação. Nesse caso, a pia ficará entre o fogão e o refrigerador, para torná-la eqüidistante dos outros pontos.
Nas cozinhas compridas ou estreitas, pode-se ocupar duas paredes, uma em frente à outra, no arranjo dos equipamentos principais. A alternativa é bem funcional, desde que numa parede fique a bancada com a pia e, na oposta, os outros itens.
Os ambientes em forma de "U" ampliam os espaços, facilitando a locomoção. Neste caso, a pia deve ser isolada junto à parede adjacente a outras duas, mantendo a área central destinada à circulação, permitindo aumentar o espaço ocupado por armários.
Com o desenho em "L" as áreas são mais bem aproveitadas. Recorre-se às duas partes adjacentes como centros de trabalho, deixando livre o resto do local para a circulação. É possível também a colocação de armários e a criação de um cantinho para refeições.
Outra solução é a "ilha", quando o lugar for espaçoso. Ela pode conter armários, bancadas, ou então formar um grande conjunto com pia, fogão, prateleiras e refrigerador. Entre as formas de distribuição para concepção de uma "ilha", encontram-se as cozinhas em "L" e em "U".

LUZ E VENTILAÇÃO
Uma boa iluminação e ventilação conferem conforto e praticidade à cozinha. A iluminação natural é indispensável: a janela deve ficar sobre a pia, entre os armários superiores e a bancada. Ela funcionará como um ponto de partida importante, mas, obviamente, sem substituir a concepção da luz artificial. Caso não haja incidência de raios solares sobre a bancada da pia, pode-se instalar uma lâmpada fluorescente direcionada sobre o local. A luz fria é indicada também para o teto, com vantagem de não emitir calor nem gerar sombras.
Para obter uma boa ventilação, o relacionamento entre portas e janelas é fundamental. Se arquitetura permitir, as saídas de ar devem estar constantemente viradas para o exterior da residência, impedindo o acúmulo de gordura nos ambientes vizinhos. Essa relação entre portas e janelas não pode comprometer as correntes de ar.

HIDRÁULICA
Um bom planejamento de uma cozinha começa sempre pelo projeto hidráulico, que deve ser obedecido à risca.
Se for instalada tubulação para água quente, deve-se preferir tubos e conexões de cobre devido à alta resistência do material. Registros e torneiras devem ser sempre de boa qualidade, minimizando a ocorrência de problemas posteriores como vazamentos, infiltrações, etc.
O abastecimento inadequado de água pode comprometer todo o funcionamento hidráulico. A caixa d'água colocada no ponto mais alto da residência garante uma satisfatória pressão da água. Para assegurar maior eficiência, pode-se pressurizar com equipamentos específicos a distribuição de água dentro da casa.

ELÉTRICA
A cozinha é um espaço que exige uma boa quantidade de pontos de luz, levando-se em conta o grande número de equipamentos eletrônicos necessários ao seu funcionamento. Parte deles exige circuitos independentes, e mesmo os aparelhos menores que não são empregados constantemente, como o liquidificador, torradeira ou batedeira, podem causar sobrecarga, quando ligados ao "benjamim", provocando curto circuito.
Sobre o tampo da pia deve ser colocada pelo menos uma tomada para cafeteira elétrica, espremedor de frutas ou utensilíos menores. Geladeira, forno de microondas, fogão a gás, freezer e exaustor também exigem ponto próprio.
Se a residência dispõe de aquecimento central, pode-se recorrer a ele para esquentar a água da pia. Outra solução são os aquecedores de passagem ou aparelhos individuais de aquecimento.

REVESTIMENTO
O conforto e a sensação agradável que a cozinha apresenta dependem muito do aspecto dado pelos revestimentos do piso, forros, armários e paredes. O mercado oferece muitas alternativas, que devem ser pesquisadas, sempre com a orientação de um especialista.
O material do piso deve ser o menos poroso, evitando a fixação de gordura. Os materiais porosos dificultam a conservação. Mármore, granito ou diversos tipos de cerâmica ou azulejos são recomendáveis. A cerâmica vitrificada é uma das opções mais indicadas para o piso. Versatilidade, resistência e durabilidade são as características que garantem fácil manutenção. Uniforme nas cores e com veios realçados, o granito valoriza esteticamente a cozinha, além de permitir limpeza quase tão fácil quanto a cerâmica vitrificada.
O emborrachado é uma alternativa para pisos antiderrapantes. Sua colocação é fácil, diretamente sobre o cimento ou qualquer outra superfície. Os laminados plásticos adaptam-se bem a esse ambiente e estão disponíveis em diversas cores, com acabamento fosco ou brilhante. Os revestimentos cerâmicos também podem ser utilizados, porém o seu assentamento deve ser cuidadoso, para impedir a formação de lacunas, que com o tempo acabam retendo sujeira e gordura. A pintura à base de epóxi, embora requeira cuidados na execução, é outra possibilidade de acabamento.
A madeira, se usada como acabamento para revestir bancadas e balcões, deve ser impermeabilizada. Contudo, o aço inox ou o granito asseguram maior durabilidade. Cerâmica e azulejos não são indicados para bancadas, pois o uso constante acaba por reter sujeira.
Os armários em alvenaria são práticos e bonitos, mas o revestimento é essencial. As tintas a óleo ou epóxi são mais econômicas. O laminado é o mais usado e indicado em função de sua praticidade. Deve-se evitar estruturas em aglomerado, que, com o tempo, tendem a soltar as dobradiças e puxadores.

Fonte: Revista Arquitetura & Construção.